O avanço acelerado da obesidade no Brasil tem preocupado especialistas em saúde pública. Segundo dados recentes do Vigitel, do Ministério da Saúde, aproximadamente um em cada quatro adultos brasileiros sofre com a doença, considerada crônica e de múltiplos fatores. Nesse contexto, a busca por soluções rápidas, como as chamadas “canetas emagrecedoras”, aumentou, mas o uso sem controle desses medicamentos pode trazer perigos, principalmente em quadros mais severos. Ao portal LeoDias, o médico Dr. Marcelo Carneiro, especialista em obesidade e cirurgião bariátrico, explicou por que a medicação não é indicada para todos os casos de obesidade.
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Esses injetáveis, recomendados para auxiliar na perda de peso, têm se tornado populares devido aos resultados rápidos. No entanto, para pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40, consideradas superobesas, o tratamento requer uma abordagem mais detalhada. De acordo com Marcelo Carneiro, o uso dessas medicações deve ser feito com cuidado e planejamento.
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“Os medicamentos são um apoio no tratamento da obesidade, mas não resolvem o problema. Estamos tratando de uma doença crônica e, em casos críticos, o manejo é ainda mais sensível. Nesses quadros, o medicamento pode ser utilizado antes da bariátrica, por exemplo, para alcançar o peso necessário para a cirurgia”, explica.
Apesar dos avanços proporcionados por substâncias como semaglutida e tirzepatida, o especialista ressalta que existem limites para sua ação clínica. Em estágios mais avançados, a perda de peso alcançada, mesmo sendo importante, pode não bastar para controlar doenças associadas, como diabetes tipo 2, pressão alta e apneia do sono.
“Em pacientes com níveis mais graves da doença, a redução de peso, mesmo relevante, muitas vezes não consegue controlar as comorbidades associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão e apneia do sono, que são bastante comuns em casos de superobesidade. Nessa situação, a cirurgia bariátrica segue sendo o tratamento mais seguro e eficaz”, destaca Marcelo.
Outro fator importante é o tempo. Para pacientes em condição crítica, adiar o tratamento correto pode piorar ainda mais o quadro. O uso das canetas sem acompanhamento médico pode, inclusive, atrasar intervenções mais efetivas, como a cirurgia bariátrica.
“Mesmo que os efeitos dos análogos de GLP-1 sejam rápidos, quando falamos de obesidade em grau crítico, o tempo é fundamental e a cirurgia bariátrica passa a ser uma intervenção que realmente reduz doenças e aumenta a expectativa de vida”, afirma.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que o tratamento da obesidade deve ser sempre personalizado e acompanhado por profissionais de saúde. A popularização de alternativas consideradas “milagrosas” pode criar falsas esperanças e colocar em risco a saúde dos pacientes.
“A popularização de soluções rápidas pode criar expectativas irreais e colocar a saúde das pessoas em risco. Em um cenário onde a obesidade cresce rapidamente, divulgar informações corretas se torna tão importante quanto o próprio tratamento, especialmente para quem enfrenta os quadros mais graves da doença”, conclui Marcelo Carneiro.



